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antiode para o novo maracanã

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para marcelo diniz

para geysa silva

 

no maracanã vaia-se até o minuto de silêncio

(nelson rodrigues)

 

quando a bola gira de pé

em pé rebola cruza espaços queima a grama

bate roupa à queima-roupa fura a linha

 

quando uns garrinchas

quando uns manés

quando uns joões

e o uníssono do palavrão

 

ecoa nos ouvidos

ecoa nas gerais

ecoa nas ruas

 

a alma lavada

no maracanã da vaia

no maracanã do minuto de silêncio

no maracanã em que rodrigues e saldanhas

eternizaram um jeito de ser

e jogar bola

 

quando afonsinho barba cabelo e bigode proliferava alternativas

e gil compunha um hino como quem não quer nada e diz tudo

quando o almirante negro negava a chibata

quando e a chimangada sambava e gritava a plenos pulmões

o maracanã em seu fausto – de cimento sol e suor – forjava o espanto da arte

 

quando o maracanã cede

a itaqueras a castelos a mineiraços

quando o maracanã cede

aos rastaqueras aos fardados aos matreiros

políticos mineiros ou de rádio de pilha

 

quando o maracanã de sol suor e cimento

amacia a bunda dos coxinhas com cadeiras

quando o maracanã amacia

perde-se a alma

 

quando

 

usam pó de arroz e falam em deus

usam sapatilhas de noivado e perdem a bola

usam cabelos de ana maria bregas e perdem a cara

usam facistas o hino e se dão os ombros a ombros

e abrem o choro do medo o choro coxinha espelhados

nos doutos  que aplaudem e vaiam sem saber por que

 

quando choram os jogadores

quando chora a comissão de frente

e dão porrada e esquecem o sarro e esquecem o charro

e esquecem o carro aberto onde pc desfilava suas louras e era barrado no iate clube

por ser negro e recusar-se ao pó de arroz

 

quando o maracanã sabe a merda em banheiros bem lavrados

quando o maracanã sabe a mijo em banheiros bem lavados

quando o maracanã sabe a cerveja em filas

quando o maracanã proíbe o cigarro nosso de cada dia

 

fode-nos os olhos

fode-nos o corpo

fode-nos a alma

 

e se transforma em salsicha

 

 

(oswaldo martins)

 


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